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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Galo salvo pelo gongo

Amigo, eu nunca vi um time que precisa do resultado positivo entrar em capo com três zagueiros, três volantes e dois laterais que não avançam. Pois é, você também não, né?! Mas foi assim que o Atlético Mineiro enfrentou o Vasco, no São Januário. Tudo bem que jogava fora de casa e o time cruzmaltino vinha de sequência de 11 jogos sem perder, mas verdade seja dita: faltou ousadia ao Galo, principalmente ao técnico Vanderlei Luxemburgo que escalou esse time.

Luxa é conhecido por uma frase sensacional: “o medo de perder o impede de vencer”. Mas, espera ai! Se ele acredita nessa máxima, por que não entrou com um time mais ofensivo? Por que abriu mão do ataque e priorizou o setor defensivo, sabendo que os três principais jogadores do Vasco (Felipe, Carlos Alberto e Zé Roberto) não estariam em campo? Será que ele também é adepto do ditado “faça o que eu digo e não o que eu faço”?

Jogo truncado, pegado e feio. Esse foi o primeiro tempo dominado pelo Vasco. O Galo ainda teve uma ótima chance no início do jogo, com o volante Fabiano, mas ele desperdiçou. Depois disso, só o time carioca jogou. E por ironia do destino, o autor do gol foi o ex-atacante atleticano Éder Luis, que comemorou o triunfo de forma comedida.

Já no segundo tempo, Luxemburgo tomou um “chá de semancol” e sacou Lima e Serginho para as entradas de Neto Berola e Ricardinho. Ai sim o time jogou como quem precisava da vitória e pressionou o Vasco.

Apesar do sufoco, há de ressaltar a grande partida, mais uma vez, do zagueiro vascaíno Dedé. Que jogador maravilhoso. E se perguntar qual foi o placar de Diego Souza contra Dedé, o resultado vai ser uma goleada a favor do defensor. Pergunta quantas vezes o meia atleticano, ou o atacante Daniel Carvalho, passaram pelo zagueiro? A resposta é nenhuma.

Mas, como no futebol não se deve elogiar zagueiro e goleiro antes do apito final do árbitro, eis que a besteira foi feita. Até então, a defesa do Vasco esta instransponível, perfeita. Mas ai, num vacilo do companheiro de Dedé, o volante Nilton, o pênalti acontece e a esperança toma conta do torcedor do Galo.

A cobrança “meia-boca” de Ricardinho tomou as redes aos 40 minutos do segundo tempo e salvou o Galo de mais uma derrota no Brasileirão. Apesar de precisar de um resultado positivo mesmo, ou seja, os três pontos, há quem diga que esse um pontinho conquistado fora de casa foi motivo de alegria e comemorado quase como uma vitória.

E como hoje o texto está cheio de ditados, ai vai mais um. Pensamento do torcedor atleticano: “para quem ao tem nada, metade é o dobro”.

Confira abaixo os gols do jogo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pitacos da 20ª Rodada do Brasileirão

O returno do Campeonato Brasileiro tem início neste meio de semana com sete jogos, nesta quarta-feira. O Cruzeiro pega o Inter, no Parque do Sabiá, em Uberlândia. Outras três partidas encerram a 20ª rodada. O Galo vai ao Rio de Janeiro encarar o Vasco, no São Januário. Vamos aos pitacos da rodada.

CRUZEIRO 2 X 1 INTER

O Cruzeiro vem embalado neste Brasileirão, ainda mais depois de vitória, de virada, fora de casa contra o Palmeiras. Apesar dos desfalques (Edcarlos, Caçapa, Fabrício e Robert), o time celeste tem um bom banco de reservas e deve suprir à altura as ausências, principalmente de Edcarlos e Fabrício, que são titulares da posição. Já o Inter, que também vive ótimo momento na competição, vem pra cima da Raposa com alguns desfalques.  D'Alessandro, a serviço da Seleção Argentina, segue fora, assim como o centroavante Alecsandro, lesionado. As vagas são, respectivamente, de Giuliano e Leandro Damião. Ambos estão na sexta colocação, com 31 pontos. Por isso, o jogo se torna ainda mais importante, pois quem vencer abre vantagem sobre o adversário direto na luta pelo título. Cravo vitória do time celeste, apesar de ser uma difícil missão. Confira as prováveis escalações de Cruzeiro e Inter para o jogo desta quarta-feira (08). 

Cruzeiro
Goleiro: Fábio
Zagueiros: Gil e Léo
Alas: Jonathan (direita) e Diego Renan (esquerda)
Volantes: Henrique e Marquinhos Paraná
Armadores: Montillo e Roger
Atacantes: Thiago Ribeiro e Wellington Paulista
 

Inter
Goleiro: Renan
Zagueiros: Bolívar e Sorondo
Alas: Nei (direita) e Kleber (esquerda)
Volantes: Wilson Matias e Guiñazu
Armadores: Tinga e Giuliano
Atacantes: Rafael Sóbis e Leandro Damião

 

VASCO 1 X 1 ATLÉTICO-MG
 

O Atlético-MG vai enfrentar pedreira no Campeonato Brasileiro. O Galo vai até o Rio de Janeiro enfrentar o Vasco, no São Januário. Três boas notícias aos atleticanos: Carlos Alberto, Zé Roberto e Felipe desfalcam o time carioca. Por outro lado, Obina está fora pelo terceiro amarelo e deve ser substituído por Daniel Carvalho, que volta de contusão. O técnico Vanderlei Luxemburgo contará com a volta do lateral direito Rafael Cruz e do meia Diego Souza, que ainda precisa encontrar o seu melhor futebol na competição. Acredito no empate por causa dos desfalques importantíssimos do Vasco. Se estivesse com o time titular, seria vitória cruzmaltina contra o Galo. Veja como Vasco e Atlético-MG provavelmente se enfrentarão nesta quinta-feira (09).

Atlético-MG
Goleiro: Fábio Costa
Zagueiros: Werley e Réver
Laterais: Diego Macedo ou Rafael Cruz (direita) e Eron (esquerda)
Volantes: Fabiano, Serginho e Rafael Jataí
Meia: Jackson
Atacantes: Daniel Carvalho e Neto Berola
 

Vasco
Goleiro: Fernando Prass
Zagueiros: Dedé e Titi
Laterais: Jumar (direita) e Fagner (esquerda)
Volantes: Rafael Carioca e Nilton
Meias: Rômulo e Fumagalli
Atacante: Éder Luis e Nunes

domingo, 29 de agosto de 2010

O instransponível Dedé

O Vasco e Cruzeiro deste sábado não foi um jogo qualquer. Dois dos maiores clubes do Brasil se enfrentaram no São Januário, no Rio de Janeiro, e o que se viu foi algo, no mínimo, estranho. Ataques eficientes, com belos valores, rápidos e criativos foram apenas alguns dos ingredientes em campo. Por outro lado, defesas sólidas e em boa fase também marcavam presença. E mais, foram as responsáveis pelo placar magrinho da partida.

Apesar dos grandes valores em campo, o jogo foi marcado por momentos bisonhos. Chutes tortos, tropeços e lances de deixar até o menos entendido do esporte, envergonhado. Um senhor, que vendia pipoca nas arquibancadas, quase chorou ao ver alguns poucos flashes da partida, enquanto fazia o troco para algum cliente, e lembrar os craques do passado. Dinamite, Acácio, Edmundo e Romário foram alguns nomes que vieram à memória do pobre torcedor vendedor de milho estourado.

Mas quem disse que para ir a um estádio ver futebol a gente paga ingresso para ver, necessariamente, um jogo? Nem sempre é assim. É claro que qualquer partida é, por si só, um jogo, oras. Mas, há situações em que um ser humano, se é que podemos chamar assim alguém que se apresenta de forma impecável e brilhante, se destaca até mesmo do espetáculo como um todo.

 Dedé, a alegria da noite de sábado
Na noite quente do Rio, um jovem de 22 anos, negro, forte e com sorriso largo no rosto encheu os olhos do público, principalmente o torcedor vascaíno. Lendo isso, você logo imagina que se trata de um atacante recém chegado da base? Ou um meio campista habilidoso, que joga com a cabeça erguida? Não, meu amigo leitor! Definitivamente, não! Trata-se de um zagueiro, com todas as letras. Ele, tirando a pintura de gol marcado pelo atacante do Vasco, Zé Roberto, foi a “coisa boa” do jogo.

No início da partida, os atletas cruzeirenses partiam para cima da defesa vascaína como se não conhecessem aquele jovem. Tiago Ribeiro, Wellington Paulista e o motorzinho Montillo trocavam passes no meio de campo, faziam lançamentos, enfrentavam o miolo do campo sem maiores dificuldades. Mas, ao chegarem à defesa adversária, batiam de frente com este jovem zagueiro.

Aquela era a noite dele, do xerife da defesa vascaína. O intransponível menino, que com garra, determinação e persistência, corria atrás da bola com todo vigor da sua idade e foi a melhor atração daquela partida murcha e marcada pelos erros. Ele dividia e roubava as bolas dos atacantes com a experiência de um jogador antigo na profissão e competência ímpar no esporte.

Ele é um craque? Talvez pudesse mudar o verbo e colocar “foi”. Mas isso não importa. Quando a principal atração em um jogo recheado de craques é atribuída a um jogador que demonstra raça, ao invés de técnica; vibração, ao invés da acomodação e superação, ao invés da mesmice, não caberá a mim, mero cronista esportivo, fazer a troca de palavras.

Três aves para Dedé, o craque zagueiro de São Januário! Ovacionado pela torcida ao fim do jogo, a simplicidade nas palavras do rapaz, que agradeceu aos aplausos da torcida, emocionou aquele senhor que vendia pipocas. Com o rosto em lágrimas, ele adentrou o campo e deu um abraço apertado no menino, dizendo: “obrigado pelo belo espetáculo e por ser jogador do Vasco”.